Arte de Pompéia no Museu das Minas e do Metal
As artes do século XIX foram fortemente influenciadas pelo historicismo e revivalismo no qual o século estava imerso. Para os artistas deste período, a beleza das artes do passado clássico ou das artes de outras culturas era padrão de bom gosto e estética. Apesar das inovações tecnológicas e da Revolução Industrial estarem em franca consolidação, o gosto estético do século XIX ainda estava voltado para o passado greco-romano, renascentista e até medieval. Essa característica peculiar do período pode ser encontrada em nosso edifício, em várias salas e na própria arquitetura em geral. Entretanto, um tipo específico de arte chama mais atenção devido a seu caráter exótico.
No final do século XVIII, as escavações do império romano seguiam e, nesse contexto, foi descoberta, acidentalmente, as ruínas da cidade romana de Pompéia, localizada na costa oeste da península itálica. Soterrada por metros de lava vulcânica a cidade havia sido destruída pela erupção do monte Vesúvio em 79 d.c. e ficou bastante conhecida pelos corpos de seus habitantes espalhados pelas ruas, mortos e petrificados no momento em que foram cobertos pelas cinzas do vulcão. Entretanto, algo menos trágico e mais belo estava escondido sob as ruínas de Pompéia. Apesar da tragédia, muitas de suas construções foram preservadas em meio as cinzas e a dura lava solidificada. Porém, foi durante o século XIX que as escavações - e a própria arqueologia - ganharam um impulso jamais visto. Enquanto a cidade ia sendo escavada, surgiam aos olhos curiosos pinturas, afrescos, mosaicos e esculturas bastante preservadas de uma cidade cuja arte se diferia um pouco das artes do resto do Império Romano. Delicadas pinturas decorativas em fundo branco, com figuras antropomórficas e zoomórficas, flores, guirlandas, ramos, frutos, jarros e espirais simétricos compunham, dentre outros, a vasta arte de Pompéia.
A partir desse momento, a arte pompeana passou a ser admirada e reproduzida com entusiasmo, como símbolo de cultura e bom gosto, assim como as demais artes do passado clássico. A arte de Pompéia está muito ligada ao mais conhecido "estilo Grotesco" - também oriundo das escavações de Roma - sendo uma de suas variantes e por vezes aplicada em conjunto com o mesmo. Retratada em pinturas murais, forros e decorações em geral, a arte de Pompéia foi se tornando, juntamente com outras, uma "moda".
Um belo exemplo da arte com inspiração pompeana está presente no famoso Palácio do Catete - no Rio de Janeiro - a antiga residência do Barão de Nova Friburgo e posteriormente a cede do governo brasileiro até 1960. Neste palácio, erguido no final do século XIX, há um salão repleto de motivos decorativos de Poméia, o chamado "Salão Pompeano". A maior parte dessa influência artística chegava ao Brasil por meio da mão-de-obra européia, eram artista principalmente italianos, franceses, dentre outros que, ao chegarem aqui, trabalhavam utilizando padrões estéticos vigentes na Europa.
Aqui no Museu das Minas e do Metal, podemos admirar também pinturas cujas influências remontam a arte grotesca e de Pompéia, elas se encontram no grande forro da caixa da escadaria central, no forro da sala Elieser Batista e também no centro do forro do Salão Nobre. São figuras zoomórficas e antropomórficas, florais e arabescos. As pinturas de influência pompeana se misturam aos motivos clássicos e por vezes ao Art-Nouveau, num sincretismo harmônico e típico do ecletismo, onde a reinterpretação e a mistura de estilos resulta num efeito visual rico em detalhes e cujo conjunto se torna híbrido.
Para quem aprecia as artes e a História, passear pelos corredores dos edifícios históricos de nossa cidade pode resultar em uma viagem pelo mundo, por várias civilizações e por inúmeras culturas, tudo ao mesmo tempo!
Data de publicação: 28/01/2011
Créditos: Cláudio Lysardo
Associado aos Roteiros:
Viajeiros
Categoria: Texto
Tags:
arte do século xix, pinturas decorativas, salão nobre, ecletismo, museu das minas e do metal, arte de pompéia