Por Luciana Amormino
É possível formular estratégias de negócios que criem valor para a sociedade e para o meio ambiente e, ao mesmo tempo, aportem valor empresarial? Essa foi a pergunta norteadora da palestra “Desenvolvimento sustentável e estratégias ambientais competitivas na mineração”, proferida no dia 14 de junho, por Libertad Ramos Siqueira, no MMM.
Libertad é graduada em Administração de Empresas com ênfase em Comércio Exterior, mestre em Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente e Indústria e doutoranda em Economia, Finanças e Administração de Empresas pela Universidad de La Laguna, Espanha. Em sua tese, que tem como objeto empresas mineradoras da Espanha, Libertad constatou que, das empresas pesquisadas, as que poluíram menos tiveram maior rendimento e se posicionaram melhor no mercado. Por meio de um indicador de contaminação de gases, aplicado dentro de uma fórmula de eficiência econômica criada por ela, a pesquisadora pôde constatar que as empresas que contaminaram menos aumentaram sua eficiência econômica. “O desenvolvimento sustentável envolve os lados econômico, social e ecológico, e é possível esses três lados atuarem de forma interdependente, sem primazia de um sobre o outro”, afirmou.
Libertad abordou durante a palestra como o desenvolvimento sustentável abrange aspectos além do econômico
Entre as vantagens de se praticar o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade social e ambiental nas empresas, apresentadas por Libertad, estão: vantagens de custo, uma vez que as tecnologias limpas são mais eficazes; vantagens de mercado, pois a postura de responsabilidade social e ambiental permite o acesso a mercados sensíveis às questões ambientais; vantagens de reputação, uma vez que o impacto político na percepção pública melhora a relação com o governo e a comunidade local, entre outros pontos positivos. A pesquisadora também considera que a responsabilidade social e ambiental das empresas gera valor, por contribuírem para a diminuição da desigualdade social. Para ela, em termos de prática da ecoeficiência, é preciso ter liderança além da normativa, ou seja, a empresa não deve se contentar a fazer o mínimo exigido pela Lei, e essa postura é reconhecida e valorizada pelo mercado.
A palestrante Libertad Ramos Siqueira
Após a exposição da palestrante, houve um debate entre os presentes em torno da importância da mineração para a manutenção da civilização tal como ela está atualmente, bem como da dependência que se estabelece entre sociedade e bens que possuem componentes extraídos via mineração. Dessa forma, como garantir que a mineração cumpra sua função - uma vez que não existe civilização sem mineração - e, ao mesmo tempo, seja também sustentável? Para Libertad, a resposta passa pela tendência no setor de mineração de utilizar soluções não convencionais para desafios convencionais.
Edismar Carvalho Resende, Especialista em Responsabilidade Social Corporativa da MMX, empresa do grupo EBX, considera que, na economia verde, você não vai ter impacto zero, mas deve-se pensar a sustentabilidade como pirâmide. Nunca haverá equilíbrio perfeito, mas deve tentar potencializar a mineração como fomentadora de práticas sociais, catalizadora do desenvolvimento. “Achei interessante para a discussão sobre sustentabilidade o indicador criado pela palestrante, que mostra que ações de sustentabilidade agregam valor às empresas. As pesquisas indicam isso”, comentou.
Para Libertad, esse momento de discussão já é um bom começo para se pensar um tema tão delicado como a relação entre mineração e sustentabilidade. “Acho esta iniciativa excelente para a sociedade, pois motiva a discussão sobre vários assuntos promovidos por um museu voltado para minas e metais. A sociedade só tem a ganhar com essas ações”, afirma.
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