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Sex 29/06/2012

Por que não vivermos em um mundo sustentável?

Segundo Lala Deheinzelin, é possível dar uma "mãozinha" para o futuro

Por Paôla Oliveira

Lala Deheinzelin

Por que não? Essa foi a grande questão norteadora da palestra desta quinta-feira, 28 de junho, no Língua Afiada, que trouxe a assessora internacional e especialista mundial em Economia Criativa, Sustentabilidade e Futuros, Lala Deheinzelin, para falar dos desdobramentos da Rio+20 e para lançar, em Belo Horizonte, seu livro Desejável Mundo Novo. Segundo Lala, a pergunta deve nos orientar a pensar no futuro. “Precisamos pensar no impossível. Antigamente, por exemplo, a escravidão era algo totalmente possível e hoje já não é mais. São mudanças de mentalidade, de cultura, que acontecem ao longo dos anos, mas precisamos acreditar nos nossos sonhos”, disse a especialista ao fazer um teste de percepção com os participantes da palestra.

Lala lançou e autografou seu livro Desejável Mundo Novo no MMM

Lala Deheinzelin explicou a mudança de era e a concepção da Economia do Futuro, que considera mudanças significativas no planeta por meio de recursos intangíveis, como, por exemplo, criatividade e conhecimento. “Os recursos naturais são finitos e a economia atual é pautada na escassez desses recursos. A chave para a sustentabilidade é a mudança de comportamento, de aprender a gerar riquezas a partir do que é intangível, como a diversidade cultural, as novas tecnologias e as ações colaborativas em rede. Então, os recursos intangíveis se tornarão visíveis e operacionais na sociedade”, salientou. Lala definiu pilares intangíveis da Economia do Futuro sustentados em trabalhos colaborativos, capital humano, social e cultural, e exemplificou com casos de transporte compartilhado, como carros e bicicletas. “Tempo é o único recurso não renovável e não é abundante. Uma maneira de se fazer tempo é colaborando com outras pessoas. Atualmente, cada um tem um carro e passa, em média, quatro horas do dia utilizando esse bem. Então, por que não fazermos o uso compartilhado desse carro?”, perguntou, sempre remetendo à pergunta central da palestra. “Ninguém sabe como será o futuro, mas sabemos que ele será junto, com trabalhos colaborativos. O ‘cuidar’ é a atividade do futuro. Quem estiver pensando em fazer coisas sozinho, está no caminho errado”, alertou a especialista.

Para a especialista, o "cuidar" é atividade do futuro

Lala ainda resumiu o futuro em uma única palavra: confiança. “Capital social é o que motiva as pessoas. O Japão, por exemplo, é um país pobre em recursos naturais, com grandes tragédias, mas que está rico, pois é onde se fazem as coisas juntos. O Brasil é um país rico em todos os recursos que podemos pensar, mas que está pobre. Aí está a diferença: capital social quer dizer colaborar”, disse Deheinzelin. A especialista também considerou o balanço da Rio+20 positivo e destacou a grande participação da sociedade civil organizada, de empresários e instituições, com diversidade e qualidade nas discussões. A ampliação do conceito de sustentabilidade também foi relevante para Lala, sobretudo a inclusão de uma quarta dimensão nesse conceito: humano/cultural. 

Deheinzelin ainda fez um panorama dos principais detaques da Rio+20

Fotos: Gláucia Rodrigues

O público do Língua Afiada mais uma vez participou ativamente da palestra e pôde adquirir o livro Desejável Mundo Novo, autografado por Lala. Camila Stael, estudante de Engenharia Ambiental, contribuiu com um exemplo colaborativo que ela pratica. “É muito legal saber que manifestações culturais ajudam na sustentabilidade. Participo de um ambiente colaborativo online (Green Nation Fest), que interage com pessoas para convergir cultura, informação e proteção ambiental a partir de questões que envolvem o futuro do planeta. Adorei o tema da palestra e esclareceu muito minhas ideias”, contou a estudante. Lala Deheinzelin se interessou muito pelo exemplo de Camila e ficou surpresa com a participação do público. “Tive o privilégio de estar aqui neste espaço incrível, com pessoas extremamente diversas e interessantes. Foi uma experiência riquíssima, estou maravilhada com o tipo de trabalho que é feito, com seriedade e consistência. É encantador estar em um museu falando de futuro. Isso é perfeito!”, finalizou Deheinzelin. O livro Desejável Mundo Novo, que trata da vida sustentável e criativa no futuro de 2042, está sendo vendido na Loja MMM, aberta de terça a domingo, de 12 às 18h, exceto na quinta-feira, de 12 às 22h.

O Língua Afiada é um programa integrante da programação Toda Quinta e Muito MMMAIS, realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Ministério da Cultura) e com o patrocínio das empresas LLX, MPX e OSX, do Grupo EBX.

Assista ao depoimento da palestrante:

Confira a programação completa do Toda Quinta e Muito MMMAIS de julho aqui. 

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